Já perdi a conta de quantas coisas foram descartadas por mim porque eu as achava antiquadas ou sem utilidade. Um celular que já não era mais tão moderno, um tênis que ninguém mais usa do mesmo modelo, um video-game, um computador… e se eu para pra fazer a lista posso acabar descobrindo que descartei quase a minha vida inteira de produtos.
Mais uma vez, somos carregados pela propaganda e pela moda. Isso porque, hoje, o tempo que define o que está velho ou não não é igual ao tempo que definia a mesma coisa, por exemplo, em 1990. E a globalização, que se tornou mais forte no Brasil nesta década, é a responsável por essa aceleração. As empresas precisariam competir com empresas internacionais, de padrões e processos bem à frente do que tínhamos de mais avançado no país. Mas a globalização não é o grande vilão dessa história. Mais tarde, ela tornaria nosso país um país emergente. O problema é que as empresas precisariam aumentar suas vendas para captar os recursos necessários para a competição com Estados Unidos e Europa. Isso fica claro quando comparamos o apelo dos comerciais de televisão do final dos anos 80 e do final dos anos 90.
Essas empresas, cuja boa parte não existe mais, provocaram uma mudança crucial para a instalação do consumismo no Brasil: o mudança do conceito de “velho”. Velho não seria mais o que já tem muitos anos de uso ou que se tornou até inútil. Velho seria, a partir desse momento, tudo o que fosse menos novo do que o que há de melhor e mais moderno. Tudo aquilo que seus amigos têm e que fazem mais do que o seu. E você precisa ter. Precisa porque, segundo a propaganda, o seu já está antiquado…. com 4 meses de uso.
É bom lembrar que os setores de marketing são regidos pelo sistema capitalista que se fortificou com a chegada da globalização ao país. Os marqueteiros só tiveram que juntar as ferramentas necessárias para que os anseios das altas cúpulas fossem atendidos. E estão fazendo isso cada vez melhor, diga-se de passagem. Apelando sexualmente para os homens, esteticamente para as mulheres e com diversão em massa para as crianças. É interessante, inclusive, observar que a terceira idade, em sua grande maioria, não é afetada pela propaganda. Por quê? Essa eu deixo pra imaginação de vocês.
Então, não se deixe enganar por aqueles que querem apenas que você consuma para que eles possam crescer mais e mais, com lucros estupendos. O consumo é, de fato, importante para o país. Mas eu tenho certeza absoluta que você pode manter o uso de mais de 50% dos seus utensílios por alguns anos mais, ao invés de se sentir atraído por aquele computador que, em comparação com as 20 funções do seu, só tem 1 a mais.
Um abraço!